UMA ENXADA - UM FACÃO E UM SACO DE MILHO - Uma Viagem pelo Universo Colonial
O mais curioso neste universo é que o colono se acostumou quanto a forma de ser tratado e, como consequência, criou seu próprio universo; as colônias.
Vejamos: a palavra colono provém do verbo latino "colo" que pode ser traduzido como " eu moro, eu ocupo a terra" reportando-se a ocupação efetiva do espaço, transformando paulatinamente em lugar de suas realizações onde habitação e alimentação eram entregues às mãos de um Deus salvador e protetor.
Contudo, o mesmo radical "colo" impõe que a colônia é a sujeição do indivíduo ao trabalho. Essa fricção entre o urbano e o rural foi mantido no mundo real por uma única razão; um desconhecimento profundo sobre o passado, em especial, no que diz respeito às correntes migratórias, fase a política imperial brasileira.
Dentro da mesma moldura, outro termo desconhecido por grande parte da população, seja urbana ou rural, é o significado da palavra "Linha". Este termo advém da Lei n° 601 de 18 de setembro de 1850 conhecida na historiografia como Lei de Terras. A referida Lei determinava que o agrimensor a seguisse a medição "em linha reta.." até atingir a metragem de "x" léguas ou braças.
Assim foi feito e esse substantivo passou a pertencer e a ser um identificador do extrato social que vive nas colônias; os colonos. A literatura que trata dos primeiros assentamentos do final do século XIX tanto alemãs quanto italianas e outras tantas assim eram identificadas. Outro elemento político que poucos levam em consideração é que o Brasil, dormiu sob a bandeira de um Império e acordou sob a bandeira de uma República.
A condição republicana levou décadas para ser decifrada, mas ainda há mazelas culturais e sociais escondidas em suas sombras que aos poucos estão sendo decifradas.
No próximo artigo aprofundaremos esse universo colonial.
Gramado ainda mantém o termo Linha para identificar geograficamente seus habitantes mantendo o termo colônia como um símbolo de resistência a exploração da terra seja para o consumo familiar quanto para venda do excedente. Se, no passado essas famílias conviviam sob a signo de serem "diferentes no andar e no falar" o tempo, o trabalho e décadas mais tarde o turismo lhes colocou sob uma nova e merecida condição na estratificação dentro da pirâmide social.
A Festa da Colônia, criada em 1985, injetou pertencimento social, político e cultural nas regiões coloniais as quais, paulatinamente, se tornaram locais de visitação às microempresas familiares além de um exemplar espaço dentro do turismo gastronômico.
Publicado originalmente em gramadoempauta.com.br.
