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Kikito - O deus do bom humor by Elisabeth Rosenfeldt

Foto: GC

Fica um pouco da nostalgia do passado distante, vale dizer, que a comunidade ativa abriu as veredas necessárias para o turista ou crítico de arte e mais recentemente; as universidades e seus cursos de comunicação.

Nesta alteração genética não dá para esquecer aquele turista que ocupa as mesas dos bares e restaurantes da Rua Coberta e daqueles que superlotam ruas e calçadas e, por falta ou por ansiedade destroem os canteiros de flores adjacentes ao Palácio dos Festivais em busca dos melhores ângulos. Contudo, todos os turistas são bem-vindos. Essa parte do DNA (ainda) é a mesma de 54 anos atrás.

O Festival de Cinema de Gramado é outro evento que incorpora a leitura quantitativa ficando a análise qualitativa na sombra.

Fazíamos durante esse período apresentação de filmes nas escolas, públicas do município desdobrando no período pós Festival inúmeras resenhas com essa comunidade. Nunca faltou pipocas fartamente distribuída por estas comunidades.

Desde alguns anos há o Cine Vídeo, destinado a escolares inclinado a sétima arte, o que tem grande aceitação contudo o ator, diretor e pessoas ligadas oa cinema ainda assim, é reduzido, afastado da comunidade escolar.
Até hoje recordo da simpatia das atrizes Zézé Mota, Flávia Alessandra, só para citar algumas.

Outra das boas lembranças era o Acampamento Gaúcho, onde a cuia de chimarrão passava de mão em mão e fazia do momento uma grande interação entre "a gente" do cinema, turistas e comunidade. A gaita e o violão puxavam a "Vaneira"o que levava a todos saírem "bailando".

O turista que vinha nesse período vivenciava muito estes momentos acotovelando-se onde dava. A portaria dos hotéis era um dos locais preferidos tanto dos hóspedes quanto da comunidade.

Gramado reinventou conceitos de eventos. Esse é um exemplo de "evento hibrido". Esta reinvenção tem seus motivos. Um deles é oportunizar a divulgação da cidade. A região central é a vedete. Transforma-se num palco a céu aberto. A Avenida Borges de Medeiros é parcialmente bloqueada, o que faz da Rua Coberta em toda a sua extensão uma passarela que acomoda mesas de restaurantes, Orquestra Sinfônica ativada na abertura, sem contar com quilômetros de cabos elétricos.

A praça Major Nicoletti, é literalmente tomada por empresas de comunicação, porém, mesmo assim o turista não se importa em ficar "prensado" em meio a multidão que hora a hora se aproxima. São os coadjuvantes que anualmente atuam no Festival de Cinema de Gramado.

No interior do cinema o burburinho só não é maior porque no apagar das luzes e inicio da rodagem do filme há um relativo silêncio.

A entrada pelo red carpet dos profissionais, atores, diretores, fotógrafos e jornalistas junto a eles, autoridades é um desafio para o turista ver tudo. Quanto a nós, trabalhamos.
A cidade deve muito aos profissionais da limpeza urbana, sempre diligentes. Nos eventos o cuidado é redobrado.

É a hora de fazer "um bico" ou trabalho extra seja na gastronomia ou na hotelaria.

Dessa forma Gramado não é somente um palco durante o Festival, a cidade é um grande mosaico de indivíduos de todas as profissões que sistematicamente procuram uma forma de viver economicamente o que deixa o Poder Público em estado de alerta.

Sem dar por finalizado o maior ícone do evento é revestido de dourado para oferecer aos vencedores a garantia eternizada pelo seu trabalho que, em um dado momento teve representação cultural.

Publicado originalmente em gramadoempauta.com.br.

O conteúdo desta coluna é de total responsabilidade do autor.

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